Mostrando postagens com marcador LEITURAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LEITURAS. Mostrar todas as postagens

domingo, dezembro 9

Morrer de tanto viver

Postado por Thamires às domingo, dezembro 09, 2018 0 comentários
Morrer de tanto viver ou Death by Living é o título do livro de Nathan D. Wilson. E que livro!

Com escrita extremamente simples e narrações de acontecimentos extremamente normais do seu cotidiano - alguns inusitados - Nathan faz rir, chorar e, principalmente, faz refletir.

Faz refletir sobre nossa história e, com ela, o que veio antes de nós. O que nossos avôs passaram e lutaram. Em que contexto viveram... O que nossos pais experimentaram e escolheram. Como se conheceram... 

Faz refletir também sobre o que nós já vivemos. Nossa infância, nossa adolescência, nosso ontem, nosso hoje de manhã, todo nosso passado, mas também, nosso agora.

Apesar de estar sempre olhando para trás e resgatando histórias, dá para perceber que o agora é o tempo principal na trama de Nathan, pois ao olhar para trás ele apenas faz entender quão valioso é o que temos nas mãos. Temos um novo papel em branco a cada luz da manhã. Junto a ele, uma caneta para escrever nossas falas, nossos olhares, nossas ações, nossas reações, nosso script.  

Gosto de pensar que a caneta e o papel foram presentes confiados a nós pelo Criador. Não que Ele não tenha nos designado desde a fundação do mundo e nos escolhido para a narrativa que Ele mesmo planejou para nós desde o ventre de nossa mãe. Mas, em todo tempo o livro me fez pensar na responsabilidade humana que Ele nos atribuiu. Em especial, a responsabilidade humana por nossas próprias vidas e pelas vidas que Ele nos confiou: nossas famílias. 

O ser mais criativo do Universo, que Ele mesmo planejou tão lindamente, concedeu-nos muita criatividade e liberdade para passarmos por esse breve período de tempo determinado aqui. Viver tanto a ponto de morrer de tanto viver é gastar cada linha do papel e escrever com letra bem pequeninha para caber tudo. É esbanjar o presente - com toda a moderação e consciência cristãs.

Vida. Morte. Duas graças concedidas por Ele, que sabe o fim desde o começo, que vai fazendo o Seu trabalho enquanto escrevemos apenas parte do que podemos ver. Que presenteia e toma o presente de volta para devolver um ainda melhor. O mínimo que Ele espera de nós é aquela alegria de desembrulhar o pacote e aquele baita abraço de gratidão. 

Obrigada, Pai,
pelo amigo que veio me presentear
e pelo presente.

"Beba seu vinho. Chore de rir. Acumule os momentos com gratidão. Esteja tão vazio quanto puder quando o relógio parar. Gaste sua vida. E, se o tempo é um rio, que você deixe um rastro." 
Nathan D. Wilson em Morrer de tanto viver.

domingo, dezembro 31

Caridade

Postado por Thamires às domingo, dezembro 31, 2017 0 comentários
“É fácil amar a Deus?” pergunta um autor antigo. “É fácil”, responde ele, “para quem o ama.” Incluí duas graças na palavra Caridade. Mas Deus pode conceder uma terceira. Pode despertar no homem um Amor Apreciativo sobrenatural por ele. De todas as dádivas, é a que mais se deve desejar. É nisso – e não em nossos amores naturais, ou mesmo na ética – que está o verdadeiro centro de toda vida humana e angélica. Com isto, tudo é possível.
E é com isto, por onde um livro melhor do que este começaria, que o meu termina. Não ouso prosseguir. Deus, e não eu, quem sabe se já experimentei esse amor. Talvez, eu só tenha imaginado o gosto. A punição para pessoas como eu, com uma imaginação que supera em muito a obediência, é justa: nós facilmente imaginamos condições muito superiores a todas as que realmente atingimos. Quando descrevermos o que imaginamos, podemos convencer os outros – e a nós mesmos – de que realmente já estivemos lá. E, se apenas imaginei, será também ilusão o fato de que mesmo imaginar, em alguns momentos, faz com que todos os outros objetos de desejo - sim, inclusive a paz, inclusive deixar de ter medos – se pareçam com brinquedos quebrados e flores murchas? Para muitos de nós, talvez toda a experiência simplesmente defina, por assim dizer, a forma do vazio onde deveria estar nosso amor por Deus. Não é suficiente. Mas já é alguma coisa. Quando não podemos “praticar a presença de Deus”, já é alguma coisa praticar a ausência de Deus, ir tomando consciência de nossa inconsciência até nos sentirmos com um homem que está diante de uma grande catarata e não ouve nenhum ruído, ou um homem que, numa narrativa, se olha no espelho e não vê rosto algum, ou um homem que, num sonho, estende a mão para objetos visíveis e não sente tocá-los. Saber que se está sonhando é já não estar perfeitamente adormecido. Mas, para ser informado sobre o mundo plenamente desperto, você deverá recorrer a outros, superiores a mim.
Trecho final de Os Quatro Amores de C.S.Lewis.